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10/24/2007

Pobres na escola


Pergunta
Prof. Paulo.

Admiro muito as suas idéias e, no início do mês, pretendo adquirir o DVD e mais alguns livros para tentar entender e acompanhar seus pensamentos cada vez melhor.
Naquela dicussão que fez com Saviani, fiquei curioso em saber do tal "perigo" de utilizarmos o termo "pobres" para falar da questão da democratização do ensino.
Um estudo recente da FGV mostrou que embora tenha reduzido, de 1992 para cá, o país concentra atualmente 36,2 milhões de pessoas na miséria. Pergunto: quando fala do "pobre", o Sr. está se referindo a esse cidadão ou a este que estaria entre a classe média baixa e o miserável?
Nas escolas que conheço, a idéia de progressão continuada tem criado possibilidades interessantes para os filhos dessas famílias cujos pais (acredite!) sequer sabem dizer o nome completo do seu filho. Não seria o caso de adotá-la (a progressão continuada) ao menos nas três séries iniciais?
Anderson
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Resposta
Anderson
A resposta que dou aqui por e-mail estará disponível também no blog do Portal Brasileiro da Filosofia http://www.filosofia.pro.br/ e no http://professorvirtual.blogspot.com/
Pois bem, veja então. O que eu disse na discussão com Saviani (se é que estamos falando do mesmo texto) é que o termo "pobre", no caso específico, é um qualificativo que ajuda pouco. Pois o que estávamos conversando era sobre o fato dos historiadores da educação aparecerem com a versão de que a escola no Brasil foi ampliada para os pobres (ainda que não satisfatoriamente), e que isso é que gerou o problema da evasão e todos os outros problemas que conhecemos, na escola pública. Ou seja, precisaríamos de uma nova escola, que nunca foi feita, por causa de uma certa democratização do ensino.
Eu digo que essa versão não é boa, e ela tem corre o risco de, inclusive, falsear as coisas. Não é por causa do pobre ter entrado para a escola, se é qu ele ele entrou quando os historiadores dizem que entrou, que a escola se tornou o que se tornou. Ela se tornou o que se tornou não pelo fato do pobre nao aprender e ser um problema. Ela se tornou o que se tornou pelo fato de que quando o pobre entrou, ainda que em pequenas levas, o rico saiu. E ao sair, a escola deixou de ser prioridade para os governos. Onde o rico não anda, o estado não vai e o mercado não vai. Portanto, não vai ninguém, só fica o carente diante do carente. Essa é a questão. Portanto, toda vez que fazemos alguma reforma educacional, o primeiro item é saber se vamos manter ou não o mais rico no lugar, pois se ele vai sair, podemos ter certeza que não teremos chance de manter o lugar funcionando. Não porque o rico paga algo para o lugar, mas porque o rico atrai a atençao de todos - ele comanda o estado e o mercado, por influência, presença, correias de transmissão etc. Toda vez que isolamos os que possuem mais do que os que possuem menos, em qualquer situação social, quem paga o pato é o que possui menos.
Agora, sobre a progressão continuada, eu tenho um amigo, o José, que é diretor em Socorro, que escreveu no Portal da Educaçao - http://www.educacao.pro.br/ - algo favorável. Mas eu, particularmente, já escrevi várias vezes que sou contra. Não há estrutura para tal no Brasil. E se houvesse, ela não seria necessária. Aliás, neste ponto, Saviani concorda comigo.

Paulo Ghiraldellli Jr.
pgjr23@yahoo.com.br
http://www.ghiraldelli.pro.br/

10/23/2007

O que é pós-modernidade?

Pós-modernidade
Pergunta de João Paulo Azevedo - joaopauloazevedo@yahoo.com.br
O que é pós-modernidade e estudos culturais?

Resposta:
João Paulo
A pós-modernidade é definida pelo filósofo francês Lyotard, em 1979, como sendo uma situação em que as grandes narrativas (os grandes sistemas filosóficos nos quais baseamos nossa consciência e nossa ação) deixam de ter a credibilidade que tinham. Pós-modernidade passou a ser, de lá para cá, a situação de crise e perda de legitimidade das meta-narrativas, dos discursos últimos que sustentam discursos menos fundamentais.
Agora, "estudos culturais", neste caso, é um adendo acadêmico que é visto como o que pode ser agregado ao estudo da pós-modernidade por consequência da vida pós-moderna, e em geral o pessoal que lida com isso faz investigações de gênero e multiculturalismo.
Bem, João, estou colocando você na lista de e-mails de gente que lê o Portal. Você viu que temos uma TV on line, não? Então, podemos fazer programas ao vivo em vídeos para a TV, a pedido de grupos que querem estudar filosofia ou ter um apoio para um tema. OK?
Esta sua resposta aqui vai estar no blog do Portal, para sua consulta posterior.

Paulo Ghiraldelli Jr. - O filósofo da cidade de São Paulo
pgjr23@yahoo.com.br
http://www.ghiraldelli.pro.br/
[foto acima: Lyotard]

1/29/2006

Estudar Filosofia

Edileuza - edileuzamarcia@uol.com.br - pergunta:

O que seria então ser intelectual e porque nem todos que estudam a filosofia conseguem de fato filosofar? Quero saber se isso se significaria, acredito, levandar questionamentos a cerca do mundo a sua volta! buscando com rigor, radicalidade e sistematização, o que se encontrou na raiz das questões elaboradas inicialmente, fazendo uma relação com o contexto atual, e colocando estes sempre na dúvida, na certeza do incompleto ou incerto.
Sabemos que somos determinados e isso nos condiciona de certa forma pelo sistema vigente (capitalismo) , porém acredito na capacidade humana de pela reflexão critica da realidade q esta inserido, isso seja possível(exercitar a Filosofia)
Para mim a Filosofia não seria nem mesmo uma disciplina, mas uma prática que realizamos cotidianamente, ao trabalhar com meus alunos na EJA por exemplo, isso é uma realidade e percebo, sinto as inquietações q eles tem a despeito do mundo , mesmo com um "nível intelectual" dito "não satisfatório" por alguns. Percebo errado?
Abraços!
Edileuza Márcia

Resposta

Edileuza

O sistema pelo qual você entrou na filosofia foi uma regra. Era o do Saviani, não? Mas aquilo deveria ter sido apenas um passo. O Saviani reduzia a filosofia a um tipo de método de reflexão. Não havia conteúdo propriamente filosófico para ela. Eu compartilho da reflexão de um filósofo que às vezes faz algo parecido, que é o Rorty. Ele reduz a filosofia a aspectos técnicos, às vezes, para dizer que a filosofia não tem nada a ver conosco. E às vezes ele vai para a atividade dos filósofos, e mostra que eles não tem nada em comum, para dizer que a filosofia não poderia ser reduzida a aspectos técnicos. Rorty é um esgrimista, e então, eu que quero lê-lo seriamente, vejo que ele oscila de propósito.
A filosofia é, sim, um discurso com um núcleo técnico, onde os problemas estão alinhados de certa forma. Podemos perceber que os filósofos possuem perguntas que tem a ver com perguntas do passado, de outros filósofos, mesmo que o modo de perguntar ou mesmo as próprias perguntas sejam outras. Por isso, ninguém nega que exista coisas como ética, epistemologia, cosmologia, ontologia, pedagogia, política, estética etc. São o conteúdo da filosofia. Agora, a filosofia pode se debruçar sobre assuntos comuns, e com o que aprendeu na sua discussão técnica, abordar de um modo novo assuntos comuns, não propriamente filosóficos ou só tangencialmente filosóficos.
O melhor modo de fazer ambas as coisas é estudar um bom filósofo, de modo a aprender com ele a filosofar, e, ao lado disso, estudar a história da filosofia, para integrar o saber daquele filósofo no contexto filosófico. Complementa-se isso tudo com a leitura em outras áreas e com um treinamento para produzir um texto inteligível. Se fizer isso, estará no caminho.

Paulo Ghiraldelli Jr.

1/26/2006

Pragmatismo - Habermas, Rorty, Apel e Putnam


Pergunta de Leandro Hollionalicy holliphylos@hotmail.com
Bom dia Paulo,

É um prazer falar com você, sou graduado em Filosofia pela PUC-MG e atualmente estou trabalhando na definição de um tema e elaboração de um projeto para o mestrado. Na verdade eu tenho trabalhado a virada linguistica na perspectiva de Appel, uma vez que minha pretenção é a de buscar e apontar possíveis pressupostos que possam legitimar uma possível fundamentação da Ética nas premissas da linguagem.
O fato é que achei muito interessante a abordagem que você fez de Rorty em relação ao tema e gostaria de saber em que obra deste autor eu posso encontrar esta análise.
Resposta do Professor Virtual
Leandro

Conhecimento é "crença verdadeira justificada". Ao menos desde Platão, através do discurso de Sócrates. Os epistemólogos atuais aceitam a definição. Bom, a que ela conduz? Para quem é fundacionista, o problema é ver como que a "crença verdadeira", seja qual for a teoria de verdade que temos, pode ou não ganhar justificação, ou melhor, ganhar fundamentação.
Habermas e Apel, na Europa, e Putnam, nos Estados Unidos, estão interessados nisso. Os franceses do pós-estruturalismo e os americanos Rorty e Davidson, certamente não.
Debatendo com Rorty, Habermas sintetiza as perspectivas dos fundacionistas. A proposição é verdadeira se ela pode ser justificada sob condições epistêmicas ideais (Putnam), ou se ela pode vencer argumentativamente em uma situação ideal de fala (Habermas) ou se ela pode vencer argumentativamente em uma comunidade ideal de comunicação (Apel).
As posições parecem semelhantes. Mas a pequena diferença faz toda a diferença. Pois na prática é mais fácil Rorty, sem querer ser fundacionista, simpatizar com o projeto de Habermas.
Veja, Rorty rechaça a necessidade da filosofia ser fundamentadora. Mas ele a mantém como uma força de persuasão, e ele acredita que seu projeto de lutar por situações de liberdade - que envolve um esforço grande pela liberdade de expressão -, do ponto de vista político, tem a ver com a luta de Habermas que envolve, fora do campo da fundamentação, querer ver, na realidade, a "situação ideal de fala". Nesse sentido, a parte da filosofia de Rorty, é negativa. Se ela tem alguns aspectos positivos, como a idéia de redescrição, isso não é propriamente filosófico, para ele, pois poderia ser feito por outros intelectuais não-filósofos. Agora, a parte política de Rorty, esta sim é positiva - ele realmente está engajado, como político, na democracia.
Bem, agora, cabe a você ir adiante. A bibliografia básica é esta:

Rorty, R. & Ghiraldelli Jr., P. Ensaios pragmatistas sobre subjetividade e verdade. Rio de Janeiro: DPA, 2006.
Rorty, R. Pragmatismo e política. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Ghiraldelli Jr., P. Caminhos da filosofia. Rio de Janeiro: DPA, 2005.
Ghiraldelli Jr., P. Richard Rorty. Petrópolis: Vozes, 1999.

Todavia, para estudar Rorty, é necessário saber Davidson um pouco. Estou preparando um manual para isso. Bem, continue a coisa e me procure!
Paulo Ghiraldelli Jr. - www.ghiraldelli.pro.br

1/05/2006

Noções Básicas do Pragmatismo? Experiência

Pergunta
Saudações professor Paulo
Meu nome é Vânia Mesquita
vaniaimpress@yahoo.com.br Só o conheço virtualmente por participar da lista "teoria crítica" e ler seus textos e emails. Como sei que você é um conhecedor incomparável do Pragmatismo gostaria que me falasse um pouco sobre algo que sempre me deixou na dúvida e, ultimamente, está me fazendo falta saber. Fale sobre algumas categorias do pragmatismo. Confundo por vezes os conceitos com as categorias. Experiência e subjetividade fazem parte dessas categorias? Desde já, muito grata.

Resposta
Vânia
Fazíamos diferenças entre conceitos e categorias, há bem pouco tempo. Era uma prática acadêmica - busca de rigor, etc. Categorias eram, por assim dizer, "conceitos chaves" de uma teoria. Os autores marxistas gostavam desse tipo de palavreado, principalmente nos anos 60, 70 e 80. Eu mesmo usei essa diferenciação, acho que quando fui professor da PUC-SP, nos cursos de pós-graduação.
As discussões atuais deixam essa diferenciação de lado. Ela não era importante, de fato. Quando se quer dizer que alguma noção desempenha um papel chave em uma teoria, em geral, atualmente, falamos que se trata de uma "noção técnica". Ou seja, hoje em dia, até por influência do pragmatismo na cultura filosófica geral, falamos mais em desempenho de uma noção no interior da teoria, e isso remete ao nome "noção técnica".
Sobre a filosofia do pragmatismo, a noção chave foi, no passado, a noção de experiência, e atualmente a noção de linguagem e usos da linguagem é mais própria da atenção do pragmatismo. A idéia básica do pragmatismo era a de favorecer o holismo contra as perspectivas dualistas. Então, por exemplo, se alguém pensa na dualidade corpo-mente, sendo que o corpo é "físico" e a mente é "não-física", o pragmatismo do passado via na experiência o elo entre tais instâncias. Hoje em dia, tendemos a ver o elo em algo mais, digamos, palpável da própria experiência, que é a linguagem - ela é física, uma vez que está no mundo, no entanto guarda um elemento que é não-físico e, no entanto, não precisa ser chamado de metafísico, nem precisa não ser natural, que é a relação social de entendimento que ela estabelece pelos seus usuários. Isso parece ajudar mais o pragmatismo atual.
Agora, subjetividade é uma noção ampla, de toda a filosofia, mas em especial da filosofia moderna que é, ela própria, em toda sua extensão, uma "filosofia do sujeito". Aqui é necessário você ler mais. Eis então a sugestão.
Veja mais sobre isso no meu livro Caminhos da filosofia (DPA, 2005). No próximo livro, que já está para sair, junto com o professor Rorty, há artigos específicos sobre isso. No meu site também. O próximo livro pela DPA é o Ensaios pragmatistas.
Precisando mais, chame! (De brinde, vai o desenho aí em cima, a caricatura do James).

Paulo Ghiraldelli Jr. - www.ghiraldelli.pro.br e www.filosofia.pro.br

11/20/2005

Sobre Heidegger e Metafísica


Pergunta
Olá Professor Paulo,
desculpe-me por te incomodar, mas eu preciso de uma ajuda. Li recentemente um trecho sobre Heidegger e fiquei confuso, não saí do lugar. Qual o significado de metafísica neste filósofo? Tomei o cuidado de transcrever o lugar onde vi este termo: "Esta Europa que, numa cegueira incalculável, está sempre prestes a apunhalar-se a si mesma – escreve Martin Heidegger na sua Introdução à Metafísica – está hoje apertada num torno constituído pela Rússia de um lado, e a América de outro. A Rússia e a América são ambas, do ponto de vista metafísico, a mesma coisa: o mesmo frenesi de organização sem raiz do homem normalizado. Quando o último cantinho do globo for economicamente explorável (…) e o tempo como origem desaparecer do ser de todos os povos, então a pergunta: Com que fim? Onde vamos? E a seguir, o quê?, estará sempre presente e, a modo de um espectro, atravessa toda esta fascinação."
André - apr012@yahoo.com.br
Resposta do Professor Virtual
Heidegger trabalha com a idéia de que a metafísica é uma forma de pensamento dual - como se inicia em Platão. Nos Tempos Modernos, a metafísica essa dualidade, é claro, e passa também a ser uma filosofia do sujeito. Essas duas formas desembocam em um trabalho de discussão epistemológica, onde impera a relação sujeito-objeto: o sujeito deve representar o objeto. Ora, essa forma implica em dominação: só há objeto a ser apreendido se há sujeito, e só ha sujeito, substractum, se há objeto. Essa forma epistemológica, que é a "metafísica da subjetividade" ou metafísica moderna, termina por se acoplar ao Humanismo. Então, o sujeito é o homem, e o mundo é o objeto. O modelo da dominação está instaurado.
O homem é aquele que dispõe do mundo, manipula (mentalmente e manualmente, mesmo), o objeto é o disposto, o manipulado. O resultado todo é que há o império da organização e da tecnologia - como derivados ou co-partícipes de uma forma de metafísica que leva à dominação. Ciência e tecnologia, nos tempos modernos, são frutos dessa forma de pensamento, caracteristicamente metafísico. Em termos sociais, isso equivaleria ao império da América, de um lado, da Rússia, do outro. Viu a cadeia de raciocínio de Heidegger? Viu como isso é, em parte, o que leva Heidegger a odiar a tecnologia e a organização, dando então instrumento - nunca citado - para a Adorno fazer o mesmo?
Paulo Ghiraldelli Jr - www.ghiraldelli.pro.br

6/22/2005

Pragmatismo e "algo pragmático"

Questão de Leandro Suzini - magraomanowar@yahoo.com.br
Olá Professor Ghiraldelli.
Bom dia.

Primeiramente, parabéns pelo trabalho e a idéia de professor virtual. Meu nome é Eleandro J. Suzini, sou estudante de Analise de Sistemas do Unisal em Americana, tenho 26 anos, moro em Santa Bárbara D'Oeste - SP.
Faço um curso totalmente voltado para ciências exatas (e também sendo uma faculdade católica temos pouquíssimo temas voltados a filosofia) mas tenho muito interesse em áreas filosóficas. Para se ter uma idéia, a única matéria voltada um pouco para essa parte, terei só no quarto ano, e ainda se chama ensino religioso.
Gostaria que me esclarecesse de maneira simples (para quem tem pouco conhecimento na área como eu) o que seria Pragmatismo, é diferente de alguma coisa pragmática?
Resposta do Professor Virtual
A filosofia contra a qual o pragmatismo se insurge, é aquela que trata tudo que tem de tratar por meio de modelos duais: sujeito-objeto, linguagem-mundo, mente-corpo, etc. O pragmatismo é a filosofia que veio para quebrar essas dualidades, desfaze-las, e primeiramente elegeu a experiência como o que estaria mediando essas dualidades, por exemplo, a dualidade linguagem-mundo ou pensamento e realidade física. A experiência seria algo que pertenceria aos dois campos da dualidade. Ninguém tem experiência se não participa dela, nenhum mundo é experienciado sem ser também resultado da experienciação dos que vivem nele. No limite, a experiência não mediaria nada, uma vez que iria desfazer as dualidades.
O pragmatismo, após Charles Peirce, William James e John Dewey, preferiu falar menos em experiência e mais em linguagem. Digamos assim: a experiência comunicacional se transformou em algo mais palpável que a experiência em geral. A linguagem é algo que podemos delimitar melhor, e estudar empiricamente com mais detalhes, que a experiência - um termo mais vago. É o que os pragmatistas atuais fazem, após Willard V. Orman Quine, entre eles, Richard Rorty, Hilary Putnam, Robert Brandon e outros.
Dois tipos de investigação se realiza pelas mãos dos pragmatistas: 1) a investigação que era chamada, na história da filosofia, de investigação da razão, é agora chamada de investigação da subjetividade ou, simplesmente, filosofia da mente. Os estados mentais são estudados, aqui, por meio de estudarmos a linguagem; 2) a investigação que era chamada, na história da filosofia, de investigação da verdade, é agora chamada de investigação de teorias da verdade, e é estudada aqui pela lógica e filosofia da linguagem. Portanto, tanto no estudo do sujeito (ou na crítica dele e sua substituição pela noção de agente) quanto no estudo da verdade (ou na crítica desta e sua substituição pelas metateorias da verdade), a prática - pedra de toque do pragmatismo - é tomada como prática linguística. Mas isso não como "análise do discurso", mas como estudos em semântica em geral, tomando elementos e tópicos como: significado, verdade, referência, predicação, ação, vontade livre, intenção, etc. O que se quer é fazer uma descrição filosófica do homem e das relações deste com o mundo - uma descrição ampla que não destoe das descrições particulares das ciências atuais.
O pragmatismo, ao fazer essas investigações, coloca como critério para levar adiante sua atenção a prática, ou melhor, a diferença que um elemento ou situação faz na prática. A relevância para o julgamento avaliativo de tudo é a resposta que vamos dar à pergunta: "mas na prática, qual a diferença que isso (ao qual estamos atentos) faz?". É nesse sentido que estamos sendo pragmáticos.
Paulo Ghiraldelli Jr. - www.ghiraldelli.pro.br



 
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