Pergunta
Prof. Paulo.
Admiro muito as suas idéias e, no início do mês, pretendo adquirir o DVD e mais alguns livros para tentar entender e acompanhar seus pensamentos cada vez melhor.
Naquela dicussão que fez com Saviani, fiquei curioso em saber do tal "perigo" de utilizarmos o termo "pobres" para falar da questão da democratização do ensino.
Um estudo recente da FGV mostrou que embora tenha reduzido, de 1992 para cá, o país concentra atualmente 36,2 milhões de pessoas na miséria. Pergunto: quando fala do "pobre", o Sr. está se referindo a esse cidadão ou a este que estaria entre a classe média baixa e o miserável?
Nas escolas que conheço, a idéia de progressão continuada tem criado possibilidades interessantes para os filhos dessas famílias cujos pais (acredite!) sequer sabem dizer o nome completo do seu filho. Não seria o caso de adotá-la (a progressão continuada) ao menos nas três séries iniciais?
Anderson
Admiro muito as suas idéias e, no início do mês, pretendo adquirir o DVD e mais alguns livros para tentar entender e acompanhar seus pensamentos cada vez melhor.
Naquela dicussão que fez com Saviani, fiquei curioso em saber do tal "perigo" de utilizarmos o termo "pobres" para falar da questão da democratização do ensino.
Um estudo recente da FGV mostrou que embora tenha reduzido, de 1992 para cá, o país concentra atualmente 36,2 milhões de pessoas na miséria. Pergunto: quando fala do "pobre", o Sr. está se referindo a esse cidadão ou a este que estaria entre a classe média baixa e o miserável?
Nas escolas que conheço, a idéia de progressão continuada tem criado possibilidades interessantes para os filhos dessas famílias cujos pais (acredite!) sequer sabem dizer o nome completo do seu filho. Não seria o caso de adotá-la (a progressão continuada) ao menos nas três séries iniciais?
Anderson
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Resposta
Anderson
A resposta que dou aqui por e-mail estará disponível também no blog do Portal Brasileiro da Filosofia http://www.filosofia.pro.br/ e no http://professorvirtual.blogspot.com/
Pois bem, veja então. O que eu disse na discussão com Saviani (se é que estamos falando do mesmo texto) é que o termo "pobre", no caso específico, é um qualificativo que ajuda pouco. Pois o que estávamos conversando era sobre o fato dos historiadores da educação aparecerem com a versão de que a escola no Brasil foi ampliada para os pobres (ainda que não satisfatoriamente), e que isso é que gerou o problema da evasão e todos os outros problemas que conhecemos, na escola pública. Ou seja, precisaríamos de uma nova escola, que nunca foi feita, por causa de uma certa democratização do ensino.
Eu digo que essa versão não é boa, e ela tem corre o risco de, inclusive, falsear as coisas. Não é por causa do pobre ter entrado para a escola, se é qu ele ele entrou quando os historiadores dizem que entrou, que a escola se tornou o que se tornou. Ela se tornou o que se tornou não pelo fato do pobre nao aprender e ser um problema. Ela se tornou o que se tornou pelo fato de que quando o pobre entrou, ainda que em pequenas levas, o rico saiu. E ao sair, a escola deixou de ser prioridade para os governos. Onde o rico não anda, o estado não vai e o mercado não vai. Portanto, não vai ninguém, só fica o carente diante do carente. Essa é a questão. Portanto, toda vez que fazemos alguma reforma educacional, o primeiro item é saber se vamos manter ou não o mais rico no lugar, pois se ele vai sair, podemos ter certeza que não teremos chance de manter o lugar funcionando. Não porque o rico paga algo para o lugar, mas porque o rico atrai a atençao de todos - ele comanda o estado e o mercado, por influência, presença, correias de transmissão etc. Toda vez que isolamos os que possuem mais do que os que possuem menos, em qualquer situação social, quem paga o pato é o que possui menos.
Agora, sobre a progressão continuada, eu tenho um amigo, o José, que é diretor em Socorro, que escreveu no Portal da Educaçao - http://www.educacao.pro.br/ - algo favorável. Mas eu, particularmente, já escrevi várias vezes que sou contra. Não há estrutura para tal no Brasil. E se houvesse, ela não seria necessária. Aliás, neste ponto, Saviani concorda comigo.
Paulo Ghiraldellli Jr.
pgjr23@yahoo.com.br
http://www.ghiraldelli.pro.br/
Anderson
A resposta que dou aqui por e-mail estará disponível também no blog do Portal Brasileiro da Filosofia http://www.filosofia.pro.br/ e no http://professorvirtual.blogspot.com/
Pois bem, veja então. O que eu disse na discussão com Saviani (se é que estamos falando do mesmo texto) é que o termo "pobre", no caso específico, é um qualificativo que ajuda pouco. Pois o que estávamos conversando era sobre o fato dos historiadores da educação aparecerem com a versão de que a escola no Brasil foi ampliada para os pobres (ainda que não satisfatoriamente), e que isso é que gerou o problema da evasão e todos os outros problemas que conhecemos, na escola pública. Ou seja, precisaríamos de uma nova escola, que nunca foi feita, por causa de uma certa democratização do ensino.
Eu digo que essa versão não é boa, e ela tem corre o risco de, inclusive, falsear as coisas. Não é por causa do pobre ter entrado para a escola, se é qu ele ele entrou quando os historiadores dizem que entrou, que a escola se tornou o que se tornou. Ela se tornou o que se tornou não pelo fato do pobre nao aprender e ser um problema. Ela se tornou o que se tornou pelo fato de que quando o pobre entrou, ainda que em pequenas levas, o rico saiu. E ao sair, a escola deixou de ser prioridade para os governos. Onde o rico não anda, o estado não vai e o mercado não vai. Portanto, não vai ninguém, só fica o carente diante do carente. Essa é a questão. Portanto, toda vez que fazemos alguma reforma educacional, o primeiro item é saber se vamos manter ou não o mais rico no lugar, pois se ele vai sair, podemos ter certeza que não teremos chance de manter o lugar funcionando. Não porque o rico paga algo para o lugar, mas porque o rico atrai a atençao de todos - ele comanda o estado e o mercado, por influência, presença, correias de transmissão etc. Toda vez que isolamos os que possuem mais do que os que possuem menos, em qualquer situação social, quem paga o pato é o que possui menos.
Agora, sobre a progressão continuada, eu tenho um amigo, o José, que é diretor em Socorro, que escreveu no Portal da Educaçao - http://www.educacao.pro.br/ - algo favorável. Mas eu, particularmente, já escrevi várias vezes que sou contra. Não há estrutura para tal no Brasil. E se houvesse, ela não seria necessária. Aliás, neste ponto, Saviani concorda comigo.
Paulo Ghiraldellli Jr.
pgjr23@yahoo.com.br
http://www.ghiraldelli.pro.br/








