Pergunta de Carlos Godoy carlos_a_godoy@uol.com.br
Sou aluno iniciante de história e estou fazendo uma pesquisa sobre iluminismo e positivismo, se eu perguntar a diferença entre as duas correntes e algumas característiscas de cada uma em poucas palavras o que o ser me diria ?
Resposta do Professor Virtual
Carlos
Iluminismo é um movimento crítico, negativo. Positivismo, como o próprio nome diz, é positivo - diz menos o que deve ser e mais o que é, ao menos é esta sua pretensão.
O Iluminismo nasceu da Ilustração, um movimento bastante heterogêneo que caracterizou o clima intelectual do século XVIII. A idéia básica era a de denunciar os séculos precedentes ao século XVI, ou seja, a chamada Idade Média, como um perído sem luz, de trevas.
Os historiadores e pensadores do século XVIII, e especialmente os filósofos, queriam que a razão - finita, a do homem - regrasse a vida e tudo o mais, de modo que todos ficassem livres de juízos vindos da autoridade, da tradição ou da fé dogmática. O cume de tal movimento, na França, foi a criação da Enciclopédia. O Iluminismo, portanto, historicamente tem a ver com a Ilustração e com os trabalhos de Diderot, D'Alembert, Voltaire e outros na construção da Enciclopédia e no que ficou conhecido como enciclopedismo.
Nos séculos XIX e XX, os filósofos começaram a ver a Ilustração como apenas uma etapa de algo maior, que seria, então, o Iluminismo. É certo que a palavra Iluminismo já estava antes colocada - para ingleses e americanos, Enlightenment, para alemães Aufkärung, para franceses, Les Lumières -, mas ela se referia, basicamente, ao "século das Luzes", o século XVIII. No século XIX, com Hegel e depois com Nietzsche e, no século XX, com a Escola de Frankfurt, cada vez mais o Iluminismo passou a ser um conceito transhistórico (não confundir com a-histórico). Isto é, o conceito de um movimento que, sendo de combate da razão contra o dogmatismo da autoridade, não teria geografia ou história, poderia ser um título usado para qualquer época e lugar.
Ao Iluminismo em geral opomos o Romantismo, que é um movimento que caracteriza a razão não como finita, mas como Razão, ou seja, como ordem do Cosmos ou do Mundo ou da Natureza. A idéia, então, é a de que nem sempre a razão finita, humana, pode dizer sozinha onde estão os caminhos que devemos seguir. Ela só pode dizer algo porque ela faz parte de uma racionalidade maior.
O positivismo, neste sentido, é um filho do Romantismo. Mas não sem um parentesco com o Iluminismo. Deste, ele herda o culto às ciências, em especial o culto ao empirismo. Mas como bom filho do Romantismo, acredita que as ciências da natureza só poderão se desenvolver se entenderem melhor como a Razão, e não a razão, se manifesta. Em geral, isso levou a filosofia à sociologia. A Razão, nas coisas humanas, se manifestaria nas formas sociais de vida - eis então que deveria haver uma forma de descrever o mundo e o homem que não fosse mais filosófica, crítica, negativa, mas positiva. A forma positiva seria a sociologia. Sociologia, portanto, como Augusto Comte a pensou, era o núcleo do seu positivismo.
Atualmente, é claro, o positivismo significa outra coisa. Tem a ver, em filosofia, com o positivismo lógico. Em sociologia, com correntes derivadas de Durkheim. Tudo isso pode não ter mais ligação direta, ou talvez mesmo indireta, com o Romantismo. Mas isso não desmente a formulação inicial, explicada acima.
Paulo Ghiraldelli Jr - http://www.ghiraldelli.pro.br/
Centro de Estudos em Filosofia Americana - http://www.cefa.org.br/



