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6/22/2005

Pragmatismo e "algo pragmático"

Questão de Leandro Suzini - magraomanowar@yahoo.com.br
Olá Professor Ghiraldelli.
Bom dia.

Primeiramente, parabéns pelo trabalho e a idéia de professor virtual. Meu nome é Eleandro J. Suzini, sou estudante de Analise de Sistemas do Unisal em Americana, tenho 26 anos, moro em Santa Bárbara D'Oeste - SP.
Faço um curso totalmente voltado para ciências exatas (e também sendo uma faculdade católica temos pouquíssimo temas voltados a filosofia) mas tenho muito interesse em áreas filosóficas. Para se ter uma idéia, a única matéria voltada um pouco para essa parte, terei só no quarto ano, e ainda se chama ensino religioso.
Gostaria que me esclarecesse de maneira simples (para quem tem pouco conhecimento na área como eu) o que seria Pragmatismo, é diferente de alguma coisa pragmática?
Resposta do Professor Virtual
A filosofia contra a qual o pragmatismo se insurge, é aquela que trata tudo que tem de tratar por meio de modelos duais: sujeito-objeto, linguagem-mundo, mente-corpo, etc. O pragmatismo é a filosofia que veio para quebrar essas dualidades, desfaze-las, e primeiramente elegeu a experiência como o que estaria mediando essas dualidades, por exemplo, a dualidade linguagem-mundo ou pensamento e realidade física. A experiência seria algo que pertenceria aos dois campos da dualidade. Ninguém tem experiência se não participa dela, nenhum mundo é experienciado sem ser também resultado da experienciação dos que vivem nele. No limite, a experiência não mediaria nada, uma vez que iria desfazer as dualidades.
O pragmatismo, após Charles Peirce, William James e John Dewey, preferiu falar menos em experiência e mais em linguagem. Digamos assim: a experiência comunicacional se transformou em algo mais palpável que a experiência em geral. A linguagem é algo que podemos delimitar melhor, e estudar empiricamente com mais detalhes, que a experiência - um termo mais vago. É o que os pragmatistas atuais fazem, após Willard V. Orman Quine, entre eles, Richard Rorty, Hilary Putnam, Robert Brandon e outros.
Dois tipos de investigação se realiza pelas mãos dos pragmatistas: 1) a investigação que era chamada, na história da filosofia, de investigação da razão, é agora chamada de investigação da subjetividade ou, simplesmente, filosofia da mente. Os estados mentais são estudados, aqui, por meio de estudarmos a linguagem; 2) a investigação que era chamada, na história da filosofia, de investigação da verdade, é agora chamada de investigação de teorias da verdade, e é estudada aqui pela lógica e filosofia da linguagem. Portanto, tanto no estudo do sujeito (ou na crítica dele e sua substituição pela noção de agente) quanto no estudo da verdade (ou na crítica desta e sua substituição pelas metateorias da verdade), a prática - pedra de toque do pragmatismo - é tomada como prática linguística. Mas isso não como "análise do discurso", mas como estudos em semântica em geral, tomando elementos e tópicos como: significado, verdade, referência, predicação, ação, vontade livre, intenção, etc. O que se quer é fazer uma descrição filosófica do homem e das relações deste com o mundo - uma descrição ampla que não destoe das descrições particulares das ciências atuais.
O pragmatismo, ao fazer essas investigações, coloca como critério para levar adiante sua atenção a prática, ou melhor, a diferença que um elemento ou situação faz na prática. A relevância para o julgamento avaliativo de tudo é a resposta que vamos dar à pergunta: "mas na prática, qual a diferença que isso (ao qual estamos atentos) faz?". É nesse sentido que estamos sendo pragmáticos.
Paulo Ghiraldelli Jr. - www.ghiraldelli.pro.br



 
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