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1/05/2006

Noções Básicas do Pragmatismo? Experiência

Pergunta
Saudações professor Paulo
Meu nome é Vânia Mesquita
vaniaimpress@yahoo.com.br Só o conheço virtualmente por participar da lista "teoria crítica" e ler seus textos e emails. Como sei que você é um conhecedor incomparável do Pragmatismo gostaria que me falasse um pouco sobre algo que sempre me deixou na dúvida e, ultimamente, está me fazendo falta saber. Fale sobre algumas categorias do pragmatismo. Confundo por vezes os conceitos com as categorias. Experiência e subjetividade fazem parte dessas categorias? Desde já, muito grata.

Resposta
Vânia
Fazíamos diferenças entre conceitos e categorias, há bem pouco tempo. Era uma prática acadêmica - busca de rigor, etc. Categorias eram, por assim dizer, "conceitos chaves" de uma teoria. Os autores marxistas gostavam desse tipo de palavreado, principalmente nos anos 60, 70 e 80. Eu mesmo usei essa diferenciação, acho que quando fui professor da PUC-SP, nos cursos de pós-graduação.
As discussões atuais deixam essa diferenciação de lado. Ela não era importante, de fato. Quando se quer dizer que alguma noção desempenha um papel chave em uma teoria, em geral, atualmente, falamos que se trata de uma "noção técnica". Ou seja, hoje em dia, até por influência do pragmatismo na cultura filosófica geral, falamos mais em desempenho de uma noção no interior da teoria, e isso remete ao nome "noção técnica".
Sobre a filosofia do pragmatismo, a noção chave foi, no passado, a noção de experiência, e atualmente a noção de linguagem e usos da linguagem é mais própria da atenção do pragmatismo. A idéia básica do pragmatismo era a de favorecer o holismo contra as perspectivas dualistas. Então, por exemplo, se alguém pensa na dualidade corpo-mente, sendo que o corpo é "físico" e a mente é "não-física", o pragmatismo do passado via na experiência o elo entre tais instâncias. Hoje em dia, tendemos a ver o elo em algo mais, digamos, palpável da própria experiência, que é a linguagem - ela é física, uma vez que está no mundo, no entanto guarda um elemento que é não-físico e, no entanto, não precisa ser chamado de metafísico, nem precisa não ser natural, que é a relação social de entendimento que ela estabelece pelos seus usuários. Isso parece ajudar mais o pragmatismo atual.
Agora, subjetividade é uma noção ampla, de toda a filosofia, mas em especial da filosofia moderna que é, ela própria, em toda sua extensão, uma "filosofia do sujeito". Aqui é necessário você ler mais. Eis então a sugestão.
Veja mais sobre isso no meu livro Caminhos da filosofia (DPA, 2005). No próximo livro, que já está para sair, junto com o professor Rorty, há artigos específicos sobre isso. No meu site também. O próximo livro pela DPA é o Ensaios pragmatistas.
Precisando mais, chame! (De brinde, vai o desenho aí em cima, a caricatura do James).

Paulo Ghiraldelli Jr. - www.ghiraldelli.pro.br e www.filosofia.pro.br



 
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